JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS OU FILHOS E PAIS

 

O IMPACTO DE ENVERGONHAR OS PAIS

 

O impacto de envergonhar os pais pela maneira como cuidam de seus filhos
Por Frank Furedi*

 


The Conversation
Envergonhar os pais pela maneira como educam os filhos pode impactar no desenvolvimento das próprias crianças.
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A educação intensiva tornou-se o último alvo de vergonha dos pais. Tendo sido instruídos a supervisionar constantemente seus filhos, eles agora estão recebendo lições sobre os perigos de fazer exatamente isso.

Aqueles que “cuidam demais” de seus filhos estão sendo denunciados por produzirem filhos mimados, que não conseguem enfrentar os desafios da vida. Numerosos livros que criticam o fenômeno ensinam mães e pais a dar mais espaço aos filhos.

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A parentalidade intensiva foi anteriormente defendida como a solução para os problemas – e medos associados – que as crianças enfrentam, mas recentemente foi retratada como uma ameaça ao desenvolvimento saudável dos jovens . Nos últimos tempos, “paternidade exagerada” – ou “paternidade de helicóptero” – tornou-se o novo alvo da culpa.

Um estudo recente, publicado na Development Psychology, concluiu que “crianças com 'pais helicóptero' podem ser menos capazes de lidar com as demandas desafiadoras de crescer, especialmente com a navegação no complexo ambiente escolar”. Alguns chegam a associar a crise de saúde mental que aflige faculdades e universidades a uma “geração de pais crivados de medo”.

Vergonha
Envergonhar os pais pela maneira como educam os filhos não é novidade. Envergonhar e culpar os pais há muito tempo é um tema recorrente nas narrativas de especialistas em educação infantil. No século 19, os pais eram frequentemente acusados ​​de não terem os recursos morais e intelectuais necessários para criar os filhos. Eles também eram frequentemente castigados por darem um mau exemplo para seus filhos.

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A incompetência dos pais foi percebida como particularmente debilitante em relação ao gerenciamento das ansiedades e medos das crianças. Do final do século 19 em diante, os especialistas afirmam que os pais precisam proteger seus filhos da exposição ao medo. Eles alegaram que abolir o medo desde a infância era essencial para o bem-estar dos jovens.

Medos dos pais
Durante o período entre guerras, vários comentaristas retrataram o comportamento e as práticas dos pais como um risco para a saúde mental de seus filhos. Uma versão dessa narrativa sugere que as crianças podem “pegar” o medo internalizando as ansiedades de seus pais.

“Os estados de medo são contagiosos”, afirmou John Anderson, autor de Happy Childhood, em 1933. Anderson acrescentou que “o primeiro passo para controlar e eliminar o medo é a manutenção dos pais de uma atitude corajosa na presença dos filhos”. Novos conselhos aos pais enfatizaram a importância de proteger os filhos de situações que podem assustá-los. Uma discussão sobre “os nervos na creche” alertou que “até as crianças agora 'sofrem de nervosismo'”. Aconselhava que “o nervosismo pode ser curado, mas nunca pelo ridículo, raiva ou severidade”, e acrescentou que os pais devem garantir “nunca 'sugerir' medo nas crianças”.

Como observo em meu estudo, "Como funciona o medo", histórias assustadoras sobre o perigo de os pais não conseguirem evitar que os filhos sejam expostos a experiências que possam assustá-los, muitas vezes concluíam com o aviso de que corriam o risco de causar cicatrizes emocionais ao longo da vida em seus filhos.

Paternidade Intensiva
Desde a década de 1950 – e especialmente a partir da década de 1970 – o imperativo de proteger as crianças da exposição ao medo transformou-se em um sentimento expansivo de ansiedade sobre praticamente todas as dimensões da infância. E as ansiedades em relação ao suposto estado de precariedade da infância adquiriram impulso próprio na década de 1980.

Isso levou a uma situação em que praticamente todas as dimensões da experiência de uma criança foram transformadas em uma história assustadora. Um resultado da ansiedade dos pais foi a evacuação das crianças do ambiente externo. Esperava-se que os pais impusessem um regime de supervisão adulta constante à vida de seus filhos. Uma nova cultura de medo em torno da infância ditou que nada poderia ser deixado ao acaso.

A resposta dominante à demanda permanente de maior vigilância tem sido aumentar a quantidade de tempo que os pais dedicam à supervisão e interação com seus filhos. Uma das consequências da expansão do que os sociólogos chamam de paternidade intensiva é que a prática de permitir que as crianças brinquem sem supervisão ou de deixá-las sozinhas em casa é cada vez mais retratada como um sintoma da paternidade irresponsável.

Como alguém que publicou amplamente sobre o tema, compartilho muitas das preocupações de seus críticos. No entanto, palestras sobre os perigos da paternidade de helicóptero infelizmente se transformaram na última versão de culpar os pais. E é provável que tenham as mesmas consequências desorientadoras dos apelos anteriores para a vigilância perpétua das crianças. A transformação da paternidade de helicóptero no último alvo da cultura do medo em torno da infância só pode servir para minar a confiança das mães e pais.

*Frank Furedi é professor emérito de Sociologia na Universidade de Kent.

©2020 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.


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02/12/2020 16:47
Artigo Mensagens de amor a filho adolescente
Por Xila Damian*
Ao experimentar frases de amor em situações triviais do cotidiano com filho adolescente, revi o poder das palavras em nossa relação.
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Como você demonstra amor por filho adolescente no dia a dia? Pensava evidenciar diariamente a partir das atitudes e dos cuidados comuns até descobrir outras formas igualmente eficazes em reforçar meu amor a filho: mensagens de amor regulares. Ao experimentar frases de amor em situações triviais do cotidiano com filho adolescente, revi o poder das palavras na minha relação com ele. Tanto quanto ações e atitudes, o que, como e quando falo reverbera no filho como semente plantada sobre terreno onde tudo dá.

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Apesar de inicialmente não admitir nem demonstrar, percebi: meu adolescente gosta de receber minhas mensagens de amor. Ainda que lhe parecesse doideira de mãe carente ou algo do tipo, filho entendeu: a partir de atos simples e aparentemente banais, tornamos uma relação única e especial.

Por trás das mensagens de amor infantis
Sempre que ia para sua aula de futebol, escutava a mãe se despedir: "Tchau, filhão! Te amo! Marque um gol pra mim hoje!". O rosto dele ruborizava de vergonha. Bufando e revirando os olhos, brevemente respondia irritado: "Tchaaau, mãe". Talvez desconfiasse mas, de fato, caíamos na risada logo após a porta bater.

Contraditoriamente, depois do instante de descontração explícita, emendava a criticando: "Como você é chata, hein? O garoto já é um rapaz e ainda o trata como criança. Não vê que ele se incomoda de ser tratado assim? Principalmente na frente dos outros!" A mãe nem ligava para o que dizia. Em vez disso, seguia com os afazeres com sorriso leve estampado no rosto. Ignorava meu comentário porque por trás daquela prática "infantil" havia uma estratégia poderosa de fortalecer vínculos entre mãe e filho. Havia intimidade em construção.

O poder das mensagens de amor
A vergonha e irritação aparentes e iniciais de filho adolescente não a venceram. Persistente com as demonstrações afetuosas de mãe, filho passou a aprecia-las... do seu jeito. Se antes fugia ou simplesmente a deixava no vácuo com tiradas rabugentas de quem se sentia pagando mico, seu adolescente passou a se divertir com as mensagens de amor que regularmente lhe eram endereçadas pela mãe.

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De forma leve e descontraída, inseriram ingrediente diferente na relação tradicionalmente reguladora. Inicialmente encarada como simples bobagem, pouco a pouco a dinâmica dos dois mudou: o que parecia doideira de mãe virou intimidade entre mãe e filho adolescente.

Mediante o resultado, quis experimentar aquela forma inusitada de reforço de amor com filho adolescente.
A possibilidade, até então impensada, me permitiu viver situações inusitadas de amor mutuamente explícito. De fato, mensagens de amor tem o poder de transformar e estreitar vínculos com filho adolescente.

A doideira das mensagens de amor
Mensagens de amor de pais contribuem enormemente com a aproximação de filho adolescente. Tornam a relação única e, por isso, especial. Como a daqueles dois. Por isso, e apesar da crítica, guardei a cena. Movida pela curiosidade, decidi experimentar com filho adolescente a mesma dinâmica.

Tão logo surgiu a chance, apliquei a novidade lançando mensagens de amor inesperadas. Nada surpreendente o resultado inicial se repetiu: primeiro, filho bufava enquanto revirava os olhos; depois, respondia com a frase preferida e já familiar: "Saco, mãe! Tchau!" Com o tempo e a prática, fui me aprimorando. As abordagens não mais limitadas a saídas de filho foram ficando mais frequentes a ponto de serem usadas em ocasiões até inimagináveis. Como quando habitualmente enfurnado no quarto, bati à porta e, nariz apontado na pequena fresta, lhe disse: "Você é meu amor, sabia?" Surpreso e perdido sem nada entender, filho fazia cara de poucos amigos. Balançando a cabeça em câmera lenta de um lado a outro, olhos arregalados e sobrancelhas ao pé do couro cabeludo retrucava: "Endoidou?", e fechava a porta.

A semente frutificou
Às vezes também não de dignava a responder. Nem por isso desisti. Em vez disso, assumi como hábito até a aporrinhação de mãe virar intimidade entre mãe e filho. Como que piada só compreendida entre íntimos a tal cara de "tá doida?" passou a ser traduzida por... risos. Cumplicidade conquistada, respostas diferentes começaram a surpreendentemente soar pela casa: "Tá mãe, também te amo... sua doida!" Tal qual aqueles dois, a semente das mensagens de amor germinaram também entre nós. E o fruto foi bom; muito bom.

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Ocasiões de silêncio, despedida ou distância de filho adolescente se tornaram ricas oportunidades de lançar mensagens de amor. Demonstrações inesperadas de afeto transformaram situações triviais do dia a dia especiais. Não só pela descontração promovida mas principalmente pelo vínculo de amor reforçado com filho adolescente. Claro que parei de criticar aquela mãe.

Em vez disso, lhe agradeci pelo aprendizado. Rindo juntas, também ignoro repreensões de outros: desconhecedores do poder desta prática, ainda perdem tempo em tentar me convencer da aparente infantilidade da cena a princípio desconcertante a filho. Ainda não sabem que independente do humor de filho adolescente, reafirmar meu amor incondicional com mensagens de amor simples são incrivelmente eficazes na construção de uma relação leve. Quem sabe, um dia, também descubram nesta doideira motivo para experimentar e adotar novas formas de amor com filho adolescente?

*Xila Damian é escritora, palestrante e criadora do blog Minha mãe é um saco!, espaço em que conta as situações cotidianas e comuns que vive sendo mãe de adolescentes, buscando desmistificar clichês sobre essa fase dos filhos, para transformá-la em um tempo de aprendizado.

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30/11/2020 15:43
Tchau, bico! Chegou a hora do filho deixar a chupeta. Veja como fazer isso com tranquilidade
Por Lucian Haro
Dizer adeus à chupeta é uma missão que envolve não só os pais, mas pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e dentista.
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Ao lado do desfralde e do desmame, deixar a chupeta também pode ser uma despedida complicada (a gente sabe). Mas, se o seu filho já passou dos 2 anos e continua “grudado no bico”, chegou a hora de agir! Veja, agora, algumas dicas que vão te ajudar nesse processo.

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“É principalmente nessa fase que os problemas anatômicos começam a aparecer, como má-formação da arcada dentária, dificuldade para respirar e comprometimento da fala”, alerta o médico Armando Salvatierra, responsável pelo Departamento de Puericultura e Aleitamento Materno da Sociedade Paranaense de Pediatria.

Pelo que afirma, no entanto, dizer adeus à chupeta é uma missão que pode envolver não só o pediatra, mas outros especialistas, como psicólogo, fonoaudiólogo e dentista, além de exigir “jogo de cintura” dos pais. “Via de regra é algo simples. Mas tem que ser feito de forma pacífica e natural, sem traumas ou outras consequências ruins”, orienta.

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Conforme avalia a médica pediatra Luci Pfeiffer, do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, assim como a criança tem a hora certa para usar a chupeta durante o dia, ela também tem um tempo certo para deixar de usar. “A fase oral [em que o bebê tem necessidade de sucção e descobre o mundo pela boca] termina perto dos 2 anos. Então, progressivamente, a partir de um ano e meio, mais ou menos, essa chupeta tem que ser tirada do bebê. Estar cada vez menos disponível”, recomenda.

Segundo a pediatra, se a chupeta é mantida, acaba se tornando um vício. “As crianças que mais acabam sendo viciadas são aquelas em que já houve o mal costume, aquelas em que a chupeta foi trazida como um apoio quando estava angustiada, com medo, com dor. E não pode ser assim”, aponta.

Hora da verdade
Mas como fazer isso de forma tranquila e prática? Você deve estar se perguntando. Da forma mais eficaz que existe: conversando. “A estratégia mais indicada hoje em dia é o diálogo, porque mesmo que não pareça, a criança acaba entendendo”, diz o doutor Armando Salvatierra ao enfatizar: “se o pai ou a mãe olha diretamente nos olhos da criança e vai explicando paulatinamente que a chupeta não faz bem, que precisa ser deixada, ela vai entender”.


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“É hora de conversar, de explicar para a criança o que pode acontecer e os acordos funcionam bem. Vamos até tal dia. Você não precisa mais”, acrescenta Luci. Outra tática preconizada é a da troca. “Você pode reunir todas as chupetas da casa e trocá-las por um brinquedo, por exemplo”, sugere Salvatierra. “Entregar” as chupetas ao Papai Noel ou ao Coelhinho da Páscoa também costuma funcionar bem, garantem os especialistas.


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27/11/2020 14:58
Gestação É menino ou menina? Como saber o sexo do bebê
Por Rossana Bittencourt, especial para o Sempre Família
Para os casais que não conseguem segurar a ansiedade para saber o sexo do bebê, alguns exames podem antecipar a descoberta.
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Qual a pergunta que a grávida mais ouve? As pessoas sempre querem saber se o bebê que a futura mamãe está esperando é menino ou menina. Para muitos casais é difícil segurar a ansiedade nesse momento, especialmente quando a gravidez é planejada e os pais já sonham com o enxoval e o quartinho do filho que está pra nascer.

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Assim que a mulher estiver com o resultado do Beta HCG – exame que detecta a gravidez – positivo, a orientação é consultar um médico para iniciar os exames do pré-natal. O sexo do bebê, porém, só é assunto das consultas normalmente a partir da décima segunda semana, o segundo trimestre da gestação. Só que se os pais não conseguem esperar e estão dispostos a arcar com o valor, é possível fazer um exame de sangue antes disso.

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Exame de sangue
A partir da oitava semana de gestação, o sangue materno pode indicar a sexagem fetal. “Pelo teste é feita a pesquisa em busca de cromossomos Y no sangue da mãe. Se forem encontrados, é porque ela está esperando um menino”, esclarece o obstetra e médico fetal, Fabrício Vieira Furtado. A eficácia desse teste é alta, pois é o primeiro exame que se pede quando há dúvidas sobre o sexo do bebê no exame de imagem.

Exame genético
Com dez semanas é possível fazer um exame genético e não invasivo que vai permitir saber, também, a sexagem. Os médicos só pedem em casos bem específicos para analisar o DNA fetal, pelo sangue da mãe, para detectar a presença de algumas síndromes.


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Ultrassonografia
O mais comum, entretanto, é esperar umas semanas a mais e fazer um exame de imagem. Pela formação que dará origem ao órgão genital, é possível identificar se é menino ou menina a partir da décima terceira semana. “É a angulação do tubérculo genital que permite dizer, mas nessa fase depende mais da experiência do médico, porque é muito precoce”, revela o obstetra. Somente com dezesseis semanas de gestação é que os órgãos genitais do feto já estão melhor formados, facilitando a identificação do sexo.

Exame de urina
Já houve um tempo em que as farmácias vendiam exames de urina que permitiam, também, esse tipo de descoberta. Mais comum nos Estados Unidos, aqui no Brasil, os testes não eram exatamente precisos, por isso caíram em desuso, de acordo com o Dr. Fabrício. “Tinha muito erro na detecção do sexo então hoje é até difícil encontrar pra comprar”, afirma.

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Qualquer outro método, segundo o médico, não tem comprovação científica. Posição na relação sexual, frequência cardíaca, se foi do ovário esquerdo ou do direito que veio o óvulo são meras crendices populares. “Pode plantar bananeira, fazer o que quiser porque a chance de ser menino ou menina é de 50%”, se diverte o médico.

Pré-natal é fundamental
Há, ainda, inúmeros casos de pais que não querem saber o sexo da criança e esperam pela surpresa no momento do parto. Não importa qual seja a situação, o fato é que os exames do pré-natal são essenciais para uma gestação saudável. Acompanhar o desenvolvimento do bebê permite evitar diversos problemas.

A primeira ultrassonografia feita serve para datar a gestação. Depois disso a mãe passa por diversos exames para avaliar a saúde. Para o bebê, especificamente, o primeiro exame morfológico é feito entre a décima segunda e a décima quarta semana de gestação e serve para rastrear alterações genéticas e pré-eclampsia. No segundo trimestre (entre 20 e 24 semanas) o morfológico avalia a parte anatômica e mede o colo do útero para prevenir trabalho de parto prematuro. Perto da vigésima oitava semana, analisa-se o crescimento fetal e as artérias uterinas. Na reta final outros exames dependem da evolução da gestação.

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18/11/2020 17:48
Prematuros Saiba quais são os desafios e como lidar com bebês que nascem antes do esperado
Estadão Conteúdo
Prematuridade pode ser causada por patologias maternas como doenças uterinas e infecção urinária na gestação.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera parto prematuro aquele que ocorre antes de 37 semanas de gravidez. A idade gestacional, fatores de risco, mortalidade infantil e desenvolvimento do bebê são preocupações constantes na rotina daqueles que estão a espera da chegada do filho.

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Para responder as principais dúvidas de pais e gestantes sobre parto prematuro, que afeta 340 mil bebês todos os anos no Brasil, como evitá-lo e como lidar com bebês que nascem antes do esperado, veja a entrevista com Silvana Maccagnano, pediatra e neonatologia do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

O que é prematuridade e qual sua classificação?
A prematuridade é o nome que se dá a condição do bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação. A classificação pode ser com relação à idade gestacional e ao peso ao nascer. Um bebê é considerado prematuro extremo quando nasce antes de 28 semanas e 0 dias de gestação. Já os que nascem entre 28 semanas e 0 dias a 31 semanas mais 6 dias são considerados pré-termo, enquanto os prematuros moderados são os bebês nascidos entre 32 semanas e 0 dias a 36 semanas mais 6 dias. Existem, ainda, os prematuros tardios que são os bebês nascidos entre 34 semanas e 0 dias a 36 semanas mais 6 dias, sendo esta uma subcategorização do moderado. Quanto ao peso de nascimento, são classificados como recém-nascido de baixo peso quando menores de 2.500g ao nascer, de muito baixo peso quando estão abaixo de 1.500g ao nascer e de extremo baixo peso inferiores a 1.000g ao nascer.

O que causa a prematuridade?
Existem vários motivos que podem levar à prematuridade, como as patologias maternas: doenças uterinas (miomas, colo do útero curto), infecção urinária na gestação, doenças sexualmente transmissíveis (aids e sífilis, por exemplo), infecções adquiridas na gestação e que podem causar infecções congênitas (citomegalovirose e toxoplasmose), gestação múltipla e idade materna (mães adolescentes ou gestantes com mais de 35 anos). Diabetes gestacional, malformações fetais, ruptura prematura das membranas ovulares, hipertensão arterial crônica e doença hipertensiva da gravidez (DHEG - tipo de hipertensão que ocorre após a 20ª semana de gestação) também são motivos que podem levar ao parto prematuro.

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Quando um bebê é considerado prematuro?
Um bebê é considerado de termo quando nasce no tempo certo, entre 37 semanas e 40 semanas mais 6 dias de gestação. Portanto, considera-se recém-nascido prematuro ou pré-termo aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas de gestação, ou seja, até 36 semanas mais 6 dias. Ainda, quanto ao grau de prematuridade, chamamos de recém-nascido extremamente prematuro os que nascem com menos de 32 semanas ou 28 semanas de gestação, segundo algumas classificações.

Como evitar e lidar com a prematuridade?
É possível prevenir o parto prematuro. Tudo começa com um bom pré-natal desde o início da gestação. O acompanhamento com o obstetra deve incluir no mínimo uma consulta mensal, na qual o médico irá acompanhar o desenvolvimento do feto, bem como o estado de saúde da gestante, podendo detectar precocemente sinais das patologias mencionadas na resposta anterior e que podem causar o parto prematuro.

Alguns exemplos são: a medida da pressão arterial que permite o diagnóstico precoce e tratamento adequado da hipertensão arterial, o acompanhamento das taxas de glicemia que permite o controle do diabetes, junto com a orientação de uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis, uma vez que o sobrepeso e obesidade aumentam o risco de diabetes gestacional. Ainda, é necessária a realização dos exames de ultrassonografia para seguimento do crescimento e desenvolvimento do feto, possibilitando o diagnóstico precoce de malformações fetais que possam predispor ao parto prematuro.

Para lidar com a prematuridade é importante que o bebê prematuro possa contar com o atendimento de uma equipe multiprofissional, composta por neonatologistas, enfermeiras, fisioterapeutas, fonoaudiólogas e psicólogos. Todo bebê recém-nascido demanda cuidados especiais, uma vez que depende de cuidados de outra pessoa praticamente 100% do tempo, em virtude da sua fragilidade, dependência de nutrição e higiene.


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Amamentação e alimentação de bebê prematuro
Os prematuros, devido à imaturidade de sua sucção e deglutição, bem como da coordenação destas funções com a respiração, devem receber maior atenção nas mamadas quanto ao risco de engasgos. Os bebês prematuros também são mais propensos ao refluxo gastresofágico, portanto é necessário um cuidado maior com o posicionamento do bebê. O mais indicado é manter o recém-nascido em uma posição com o tronco mais elevado após as mamadas.

Estes cuidados se iniciam na maternidade, mas muitas vezes a alta dos bebês prematuros e seus cuidados posteriores demandam serviços especializados de saúde, como estimulação motora, acompanhamento mais frequente com pediatra e até mesmo de outros especialistas. Além disso, os prematuros tendem a ser mais sonolentos, dormem por períodos maiores e, por isso, necessitam de mais atenção para serem despertos e estimulados nos horários de mamada.

Também, devido a sua imaturidade imunológica, são mais vulneráveis a processos infecciosos e, com isso, a higiene de seus utensílios e de seus cuidadores no manuseio desses materiais requer atenção redobrada. É importante, ainda, evitar situações de risco, como saídas ou ambientes com muitas pessoas.

Qual a importância da conversa com os pais sobre maturidade?
O nascimento de um bebê prematuro e sua internação em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal muitas vezes geram diferentes sentimentos nos pais, especialmente nas mães, como frustração, dificuldade de aceitar a situação da gestação ter terminado antes da hora e de ter tido um bebê bem menor, frágil, gerando sentimento de culpa, incompetência, medo do desconhecido, medo de perda e muitos outros.

Além disso, a UTI Neonatal é um ambiente muito tecnológico e diferente para os pais, por causa da produção de ruídos e alarmes, por exemplo. O local é o ambiente para o cuidado intensivo da saúde do prematuro, mas também deveria ser acolhedor para os pais.

A equipe multidisciplinar deve explicar o máximo possível os cuidados dispensados ao prematuro para que os pais possam entender melhor o tratamento e acompanhar sua evolução. Porém, é muito importante que haja um suporte psicológico aos pais, por meio de uma escuta empática frente às suas necessidades e demandas emocionais específicas.

Esse atendimento pode ser individualizado, mas também associado à realização de reuniões periódicas de pais de UTI com psicólogos, uma vez que os pais de diferentes bebês estão vivenciando experiências semelhantes e em diferentes estágios de evolução e podendo, assim, compartilhar seus sentimentos e contribuir para o encorajamento de outros por meio de uma rede de apoio nessa jornada.

Esse apoio é muito importante desde o início da internação do prematuro na UTI Neonatal, pois a seguir dos sentimentos iniciais de estranhamento daquele bebê frágil, confrontado com o bebê grande idealizado e do medo do desconhecido e de perda, vem a desilusão de deixar de viver os momentos com aquele bebê no quarto da maternidade com a mãe, a amamentação nos primeiros dias ou mesmo o momento da alta materna sem poder levar seu filho consigo para a casa.

Assim, o suporte psicológico ocorre para que as vivências dos pais na UTI Neonatal sejam mais suaves, favorecendo a formação do vínculo com o bebê e preparando-os para o momento em que futuramente assumirão os cuidados desse bebê em casa.