JURA EM PROSA E VERSO

 

PAIS E FILHOS OU FILHOS E PAIS

 

 

NÃO QUERO QUE MEU FILHO SE FRUSTRE

Maria Tereza Maldonado

 

Ao colocar a criança na redoma da superproteção, perde-se a noção, não só da inevitabilidade, como do valor da frustração, para fortalecer a resiliência e a capacidade de criar alternativas, quando aquilo que desejamos não se concretiza.

Aprender a lidar com a frustração fortalece a persistência, para não desistir facilmente diante dos obstáculos. Isso também ajuda a valorizar o erro como fonte de aprendizagem, e não como uma ameaça à autoconfiança.

Em conversa com os professores de uma escola, ouvi que muitos pais não querem que o filho se frustre, nem que perca nos jogos, tire uma nota baixa ou sinta ciúmes do bebê que nasceu. Talvez isso decorra da falsa noção de que felicidade é sinônimo de ausência de problemas.

No entanto, os estudos sobre o tema mostram que a construção da felicidade tem mais a ver com a capacidade de consolidar uma serenidade interior, até mesmo em épocas turbulentas. No decorrer da vida, é inevitavelmente frustrante cair, quando se tenta dar os primeiros passos, quando se começa a andar de bicicleta, sem as rodinhas de apoio, quando se escrevem as primeiras letras, quando leva um fora do primeiro amor, quando estuda para o vestibular e não consegue se classificar, quando a empresa encolhe a equipe e a pessoa está entre os demitidos.

Lidar com a frustração ajuda a valorizar os pequenos progressos, no caminho de construir novas habilidades, o que demanda paciência para treinar ao praticar um esporte ou tocar um instrumento musical. É impossível ter o mesmo desempenho dos “ídolos” do futebol ou da guitarra, sem percorrer um longo caminho para desenvolver essas habilidades.

Manter a automotivação, para não desistir diante das dificuldades, é indispensável ao progresso. Há pais que questionam os professores, quando os colegas do filho já aprenderam a ler ou fazem desenhos mais elaborados. Essa comparação constante angustia os pais e os impedem de considerar as variações da normalidade e a diversidade das competências.

Ninguém é supercompetente em tudo.

Faz parte do autoconhecimento perceber em que áreas somos mais capazes, para investir em expandi-las e em que áreas somos incompetentes, para aceitar essas limitações. Perguntas reflexivas são úteis no diálogo entre professores e pais: “Como vocês aprenderam a lidar com as frustrações?” “Que benefícios o filho de vocês teria, caso fosse possível evitar frustrações?” “Considerando que as frustrações são inevitáveis e até mesmo necessárias, como vocês lidam com isso com seus filhos?”

Essas perguntas reflexivas são um convite para que as famílias se esforcem, para aprimorar a parceria com a escola, em vez de criar expectativas e fazer cobranças de que a equipe escolar seja a principal responsável pela educação de crianças e adolescentes.

 

Maria Tereza Maldonado – Mestre em Psicologia, Membro da Associação Brasileira de Terapia Famíliar, Escritora