Senhor Jura e sua nora Luciana, quase morreram de susto assim que ouviram Maria chamando por eles.

_ Não é o que estás a pensar, Maria _ disse Luciana, tentando se justificar enquanto vestia a calcinha.
_ Para Luciana!... não faz sentido dizer nada, eu vi tudo com os meus próprios olhos_ disse Nadanome com a voz bagunçada e lágrimas nos olhos.

_Vocês não deveriam ter feito isso com o Zé, ele te ama muito Luciana, ele não merece isso_ prosseguiu.
_ Eu sinto muito, Na ( que era como ele chamava a Nadanome). Eu não sei o que deu em mim! Por favor não fala nada ao Arturo _ disse, agudamente triste e tentando prender as lágrimas que martelavam insistentemente a porta dos seus olhos.

Senhor Jura se mantinha calado, ainda não acreditava no que estava acontecendo, era como se estivesse traumatizado, não se movia, seus olhos não pestanejavam, parecia um mudo nato. Limitava - se apenas a ouvir as lamúrias de sua nora e os sermões da Nadanome.

_ E você pai, o que vais me dizer sobre tudo isso que acabei de ver? _ perguntou Nadanome ao senhor Jura, pai de Arturo, o seu melhor amigo.
_ Calma Jucy...
_Calma nada _disse Jucifernanda com um tom de voz de revolta e tremenda decepção.

_Vocês têm de contar tudo isso ao Arturo ainda hoje, se não eu mesma contarei a ele. O Arturo não merece se casar por cima desse mar de falsidade, Celina, você sabe o quanto ele te ama...

Senhor Gomez recuperou - se do trauma momentâneo que lhe possuía sem piedade e dirigiu - se para sala aonde todo mundo estava, como se nada tivesse acontecido.
Depois de mais ou menos cinco minutos, Celina e Jucifernanda entraram pela porta da sala sorrindo serenamente, como se tudo estivesse bem.

_ Oi mor, estava procurando por ti _ disse Arturo a sua amada noiva, beijando - a apaixonadamente.
_ Está tudo ótimo, mor_ respondeu Celina, retribuindo o beijo.
Jucifernanda olhou - os e em seguida sorriu de mansinho...

A está altura o condutor do tempo pisoteava fundo o acelerador e o relógio marcava vinte e duas horas e quarenta e cinco minutos. O cenário estava completamente desmontado, e todos aparentavam estar felizes.

_ Muito obrigado pela amável forma com que fomos recebidos cá em vossa acolhedora casa, meus compadres_ senhor Gomes fazia o discurso de despida.
_ Não têm que agradecer compadre, a gente agora é uma família, as portas desta casa estarão sempre abertas para vocês_ Disse o senhor Marques sorrindo.
_ E verdade! _ concordou a sua esposa.

Abraços mais abraços e beijos daqui e acolá. Jucifernanda abraçou a Celina e bem no canto da orelha disse - lhe: conta para ele, ele merece saber... Tenha uma ótima noite, Celina_ disse Jucifernanda com um olhar ambíguo.
_Obrigado e igualmente, Jucy!_ retrucou.

A família de Arturo e sua amiga, todos deixaram a casa da família Marques.
Senhor Gomes que estivera ligeiramente bêbado caiu na real depois do ocorrido e não parava de pensar no que fazer, se contava ou se calasse, em semelhança da Jucifernanda, durante todo caminho de regresso a casa.

As horas passaram a correr e o dia morreu, mas em contrapartida um novo dia nasceu. O derradeiro dia, o dia do casamento de Arturo e Celina. Um dia que pode vir a ser o mais feliz ou talvez o mais triste dia de suas vidas...

Celina em semelhança de Gómez e Jucifernanda, não conseguira pregar os olhos na noite passada, não paravam de pensar no que fazer, na verdade eles sabiam o que fazer mas não queriam simplesmente aceitar que a coisa mais aconselhável e certa seria um desastre, uma catástrofe que desperdiçaria por completo todo mundo e principalmente o Arturo.O relógio marcava onze horas e trinta minutos. Celina ainda encontrava - se no seu quarto, estava sendo estuprada e enxovalhada pelos pensamentos e remorsos.

Em contrapartida, Arturo encontrava - se numa piscina algures, felicíssimo da vida e bastante ansioso com a hora do casamento, a hora de ouvir o padre dizer "declarou - vos marido e mulher" e beijar aquela linda mulher como nunca fez antes. Gomes por sua vez, tentava desesperadamente dormir, talvez achava que deste jeito não pensaria no caso, mas sem sucesso...

O tempo vou, vou, vou e quando todo mundo deu por si, já era dezesseis horas e vinte e cinco minutos. Na igreja, na paróquia do "Amor de Jesus Cristo" o cenário estava completamente criado. Decoração espetacular, flores coloridas, gente bem vestidas, no parque de estacionamento haviam carros da moda, Accent, Elantra, Hundai tucson, etc, etc. Estava realmente uma maravilha, tudo exatamente como Celina sonhara.

Jucifernanda já se encontrava na igreja, completamente angustiada e pensativa, por quase um dia se distanciou do seu melhor amigo sem se quer perceber, talvez porque não queria causar mal entendidos. Preocupada com a hora que cada vez mais se aproximava decidiu enviar uma mensagem para Celina.

_ " Acho melhor contares agora mesmo senão eu conto", boa tarde! _ concluiu.

O tempo não parou e a tão aguarda hora chegou. Todo mundo na igreja expectante, aguardava - se apenas pela chegada da estimada noiva, Celina... Arturo usava um terno de marca da cor azul escuro que ganhou como uma das ofertas de casamento do seu pai, senhor Gomez, comprado na loja "Samiranda ", sapatos de cor preta, bem engraxado e tinha um corte de cabelo manero, como dizem os brasileiros. Arturo estava indubitavelmente lindo.

Dez minutos da hora marcada para o começo da cerimônia já havia se passado e Celina não chegava, o ambiente começou a se tornar pesado para Arturo, estava notavelmente preocupado. Gomez, seu pai, dirigiu - se até a ele a fim de conforta - lo, ato que roubou completamente a atenção de Jucifernanda, que mordia as unhas de ansiedade e desespero.

De repente, lá estava aquela mulher alta de pele negra como a noite com luar imperial, olhos de pitanga e seios firmes como maboque, entrando na igreja ao som da melodia de Kenny G " Loving you" ( amando você ). Celina estava trajada com um vestido de cor branca e miçangas finas, com um véu enorme e enquanto andava parecia uma onça desfilando nas passarelas da selva, Celina estava estrondosamente linda.

Chegou até ao altar acompanhada com seu pai, senhor Marques.
Celina olhou para Arturo e sorriu para ele, e Arturo retribuiu o sorriso. Celina viajou a igreja com os seus olhos e aterrou exatamente no local aonde se encontrava a Jucifernanda e a tempestade que devastava a sua alma intensificou-se... O silêncio apoderou -se da igreja e todas as atenções estavam direcionada ao padre que fazia aquele típico discurso...

E chegou o momento que o padre faz aquelas duas famosas perguntas para os convidados e para os noivos.

_ Quem aqui presente sabe de algum motivo que impossibilita estes dois jovens de contraírem o matrimônio, que fale agora ou se cale para sempre._ disse o Padre com sorriso nos lábios.
Celina olhou para o Arturo, olhou para o senhor Gomez, o seu sogro, e em seguida olhou fixamente para Jucifernanda.

O silêncio reinava como um nato imperador. Celina até pensou em desencavilhar a granada, mas não teve coragem, mantéu - se calada, Gomez também lhe passou pela cabeça em contar, mas o medo venceu - o. Jucifernanda até estava decidida a contar toda verdade, mas em seguida imaginou nas consequências e calou - se com o coração apertado. E o padre prosseguiu.

_ Celina dos Anjos Marquês, aceita Arturo Matumona Gomez,
como seu esposo, para ama-lo e respeita-lo, na pobreza, na riqueza, na saúde e na doença todos os dias da tua vida?
_ Sim, aceito_ respondeu, depois de banhar no rio do silêncio durante alguns minutos.
Jucifernanda olhou para ela obesa de raiva.
_ Arturo Matumona Gomez, aceitas Celina dos Anjos Marques como sua esposa, para amá-la e respeitá-la, na pobreza, na riqueza, na saúde e na doença todos os dias da tua vida.
_ Sim, aceito _ respondeu apressadamente, com um sorriso largo nos lábios.
_ Pelo poder que a igreja me concede, declarou - vos marido e mulher... O noivo pode beijar a noiva.

Ambos beijaram - se como loucos. E depois de alguns minutos quando quase todo mundo estava nos apertos de mão, e parabéns daqui e parabéns acolá, Celina cai desmaiada bem nos pés de Arturo, agora o seu esposo. Roubando a atenção de todo mundo que ali se encontrava.